Estava frio, apesar do Sol lá em cima, e eu tremia. Procurei abstrair-me de tudo e concentrar-me apenas no ruído gotejante da água que saltava do lago manso e se precipitava no vazio.
Sentava-me, simplesmente ali… e deixava que os borrifos me salpicassem. Talvez fosse por isso que tremia.
De súbito, o Sol desapareceu por completo. Era noite. Nevava. os flocos caíam suavemente, poisavam no lago, e aguardavam que os outros se lhe juntassem, até cobrirem por completo a superfície imperturbável da água.
E a mim.
Imóvel, gelada, assisti ao amanhecer. Apercebi-me das flores que brotavam e murchavam, do Sol que ressequia os arbustos, da chuva que saturava a terra e a emprenhava para que desse novamente à luz. Mas para mim, foi sempre Inverno.
Incapaz de responder à voz que com insistência me questionava, ali fiquei. Já não tremia. Tudo se esgotara, encerrado em mim, Observava. E era tudo. Sentia a vida à minha volta, contudo a Vontade fora-se.
E vi nascer a criança. Vi-a tornar-se num rapazinho irreverente. Vi-o a caminho da idade adulta, lutando por preservar os seus sonhos.
Caminhou. Veio até mim. Olhou-me nos olhos, para além do muro da invisibilidade sob a neve que eu era.
Sentou-se a meu lado, e a chuva caíu. A meus pés, as gotas forçavam a sua entrada no solo. Era Verão novamente.
I dont disagree with this blog post.
Por: juegos online em Novembro 23, 2011
às 3:55 pm